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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Pará atrai R$ 101,5 bilhões

YURI AGE
Da Sucursal de Brasília
Com destaque para os setores de logística e de mineração, investimentos privados deverão injetar R$ 101,5 bilhões na economia paraense até 2020. É o que indica relatório inédito do Departamento de Pesquisa Macroeconômica do Banco Itaú Unibanco. Com exclusividade para O LIBERAL, a instituição financeira fez uma projeção para o cenário econômico paraense e indica que o maior volume de investimentos se dará na região sudeste do Estado. A expectativa é que 51% se concentrem nos municípios daquela região. O restante deverá ser dividido pelas regiões nordeste (41%), Baixo Amazonas (7,8%) e Metropolitana (1,7%).
Dentre os investimentos no Estado, ganham destaque os empreendimentos anunciados pela Cevital, grupo argelino que deverá investir US$ 250 milhões no Complexo Industrial de Barcarena; o projeto S11D da Vale, com investimentos de mais de R$ 50 bilhões, somados à construção da mina e da ferrovia para escoamento. Dos investimentos previstos para o setor logístico, chamam atenção os R$ 48 bilhões injetados pela iniciativa privada na construção e ampliação de terminais portuários.
Apesar do grande volume de investimentos, para conseguir um crescimento de longo prazo é preciso que o Pará supere alguns gargalos na produção. O relatório define como maior desafio para o Estado investir na qualificação da mão de obra.
A baixa escolaridade dos trabalhadores paraenses impacta diretamente na internalização das riquezas. Apesar de se mostrar uma economia dinâmica e atrativa aos investidores, o PIB per capita do Pará é inferior à média na Região Norte e no Brasil. O relatório do Banco Itaú Unibanco aponta que, em 2013, o PIB per capita do Estado atingiu o valor de R$ 15.138, contra R$ 17.156 na Região Norte e R$ 26.389 no Brasil. “O PIB per capita está diretamente relacionado à qualificação da mão de obra. No Estado, 9,5% da população possui menos de um ano de estudo, algo que nos chama bastante atenção. Para um crescimento de longo prazo, é preciso investir na qualificação dos trabalhadores”, afirmou a economista Paula Yamaguti, responsável pela produção do relatório.
Como forma de preparar a mão de obra paraense para atender os empreendimentos que deverão se instalar no Pará, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-Pará) revela que somente para 2016, a meta da instituição é matricular 102,3 mil pessoas em seus cursos de qualificação e capacitação. Desse total, 20 mil serão ofertadas pelo Programa de Gratuidade.
“Não apenas o Pará, mas o Brasil de um modo geral ainda não tem uma cultura de investir em educação profissional, e isso é um dos gargalos do desenvolvimento do país. Uma pesquisa realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostra que, no país, apenas 6% dos jovens com até 25 anos optam pela educação profissional, enquanto que em países ricos, a exemplo da Finlândia, França e Alemanha, os índices ultrapassam os 50%”, ressaltou o diretor regional do Senai-Pará, Gerson Peres.  (Pararijos NEWS)