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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Robgol fará depoimento mais aguardado

KEILA FERREIRA
Da Redação
Cinco dos 14 acusados de fraudes na folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), com a inclusão de funcionários “fantasmas”, serão interrogados essa semana, entre eles o ex-deputado estadual José Robson do Nascimento, o Robgol, que foi jogador do Paysandu e ídolo da torcida. Ele é acusado de ter se beneficiado com o esquema, incluindo nomes de familiares como servidores da Casa, sem que essas pessoas trabalhassem no Legislativo estadual. Na época em que o caso veio à tona, foram apreendidos, em operação do Ministério Público e da Polícia Civil, R$ 500 mil, além de R$ 40 mil em tíquete-alimentação da Alepa, na casa do ex-atacante. O interrogatório dele é um dos mais esperados dentro do processo. Essa semana também serão ouvidos Elenise da Silva Lima, Maria Genuína Carvalho de Oliveira, Daura Irene Xavier Hage, Fernando Augusto de Carvalho Rodrigues.
Nos primeiros interrogatórios, realizados na última semana, a maioria dos acusados confirmou a existência do esquema fraudulento, mas Mônica Pinto - ex-chefe da folha de pagamento e da Divisão de Pessoal da Alepa - foi apontada como idealizadora e pessoa que mais se beneficiava com as irregularidades. Semel Charone, ex-chefe de gabinete civil da Presidência, por exemplo, admitiu que indicou nomes de amigos e familiares, entre eles a própria sogra, o marido e uma empregada doméstica, para figurarem como servidores do Poder Legislativo, sem que eles trabalhassem lá. Porém, alegou que foi pressionada por Mônica a participar do esquema e que era Mônica quem ficava com a maior parte do dinheiro.
Mylene Rodrigues, outra ré, foi além, e afirmou que Mônica pediu documentos de pessoas carentes para fazer um cadastro de doação de brinquedos e alimentos e que a ex-chefe da Divisão de Pessoal inseriu essas pessoas na folha de pagamento da Alepa sem que ela soubesse. Admitiu que eram depositados valores a mais na sua conta do Banpará, que chegavam a R$ 25 mil por mês - além do seu salário de R$ 800 -, mas garantiu que entregava todo esse dinheiro à Mônica e esta, por sua vez, lhe devolvia um percentual bem menor, que correspondia a cerca de R$ 2 mil. Ainda segundo Mylene, receber esse dinheiro foi a condição imposta para que ela pudesse trabalhar na Assembleia.
“Nos próximos, a gente só espera tiroteio em cima dela. Mas todos estão admitindo que recebiam dinheiro ilegal”, declarou o advogado de Mônica Pinto, Luciel Caxiado, sobre o fato dos acusados estarem apontando a responsabilidade das irregularidades apenas para a sua cliente. Segundo ele, isso já era esperado. Com o benefício da delação premiada homologado pela juíza Alda Tuma, Mônica foi a primeira a ser ouvida, dando detalhes do esquema de desvio de dinheiro público que acontecia na Assembleia Legislativa e explicando a participação de cada réu na ação fraudulenta. Declarou que ganhou cerca de R$ 300 mil com as irregularidades.
Os advogados dos demais réus têm criticado o acordo de delação premiada concedido a Mônica. Roberto Lauria, que defende Robgol e Maria Genuína, chegou a dizer essa semana que a “pseudo delação premiada” está cheia de vícios e erros e que Mônica “está jogando um pouco de vingança para alguns desafetos que tinha na Casa”. A delatora teria problemas pessoais com Maria Genuína e também manteve um relacionamento com Robgol, que não teria terminado de forma amistosa. Para ler a matéria completa, assine O Liberal Digital! (Pararijos NEWS)