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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Município de Breves pode sofrer surto de febre tifoide

Nos últimos três meses saltaram para 20 os casos notificados de febre tifoide no município de Breves, na ilha do Marajó, no Pará, levando uma equipe de pesquisadores e técnicos do Instituto Evandro Chagas (IEC) a investigar a possibilidade de surto da doença. De março a agosto de 2015 eram quatro casos. Em setembro ocorreram nove e em novembro chegou a 20, segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net).
 Foto: Agência ParáFoto: Agência Pará
Na análise dos resultados laboratoriais e das fichas clinico-epidemiológicas observou-se que foram processadas um total de 76 amostras de hemoculturas, 85 de coproculturas e 122 amostras para a PCR de casos suspeitos, contatos intradomiciliares e controle da vizinhança de febre tifoide. Na investigação de Salmonella Typhi (bactéria causadora da febre tifoide), todos os resultados foram negativos nas amostras de hemocultura e coprocultura, provavelmente em função do uso de antibióticos pelos pacientes. No entanto, 46 resultados da PCR foram positivos para o agente.
Nos casos em que foram identificadas cepas de Salmonella Typhi, a notificação foi feita imediatamente às autoridades de saúde estaduais e municipais conforme fluxo rotineiramente praticado no IEC. Em seguida, foi instituído o tratamento pelos médicos que compõem oficialmente a equipe técnica do estudo. Do mesmo modo, medidas de vigilância voltadas à procura de portadores intradomiciliares serão executadas normalmente como já se realiza na rotina do IEC.
Segundo a doutora Daniela Rocha, que coordena o Laboratório de Enteroinfecções Bacterianas (Sabmi) do IEC, a febre tifoide tem prevalência elevada em regiões de precárias condições sanitárias e é um tema importante em saúde pública, sobretudo na região Amazônica, onde o Pará contribui com grande parte dos casos, inclusive frequente ocorrência de surtos.
A doença é de notificação compulsória devido seu elevado potencial epidêmico. A febre ainda é subnotificada pelas dificuldades no reconhecimento clínico e no diagnóstico laboratorial no qual se reconhece a interferência dos antibióticos no isolamento e identificação do agente causal, contribuindo para que muitos casos passem despercebidos. “Assim, esforços devem ser realizados no sentido de melhorar o diagnóstico e dar maior visibilidade ao problema, sobretudo em termos de prevalência, para que se possam programar medidas mais eficazes de combate e controle da doença.” explica a doutora.
A Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) foi que solicitou o apoio do IEC à investigação epidemiológica. O trabalho é desenvolvido em parceria com o Laboratório Central do Estado (Lacen) e a Secretaria Municipal de Saúde de Breves. O trabalho consistiu na aplicação de questionário domiciliar e no diagnóstico de possíveis casos, bem como de portadores assintomáticos através da coleta de sangue e fezes.
O objetivo é também identificar áreas de risco pela verificação da distribuição geográfica dos casos. Servidores da Samam coletaram amostras de água de beber e consumo com a finalidade de pesquisar indicadores de poluição fecal.
As mesmas residências nas quais foram coletadas as fezes participaram da amostragem para avaliar a qualidade da água. Para cada residência, uma ficha foi preenchida, contendo dados pessoais, sociais, higiênico-sanitários, de doenças atuais e pregressas e hábitos alimentares. (Pararijos NEWS)