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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

“Eu dava tudo para a Mônica”, diz Elzilene


No esquema fraudulento na folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Pará, Elzilene Maria Lima Araújo é acusada de receber quase R$ 1 milhão, embora seu salário oficial fosse de apenas R$ 650,00. Mas, ontem, durante audiência, ela afirmou que todo o dinheiro que caía em sua conta era repassado para Mônica Pinto e, também, para o então deputado estadual José Robson do Nascimento, o "Robgol", em cujo gabinete era lotada. Em troca do repasse desses valores, disse que Mônica dava a ela R$ 1.500,00 ou R$ 2 mil. O depoimento de Elzilene, prestado à juíza da 11ª Vara Penal de Belém, Alda Gessyane Tuma, durou três horas, começando por volta das 13h30.
Ela também disse que, graças a essas fraudes, seu salário chegou a R$ 25 mil, mas que não ficava com esse dinheiro. Além de Elzilene, também figuravam na folha de pagamento do gabinete do então deputado "Robgol" outros três irmãos dela e dois amigos. Somando o que ela e os seus três irmãos recebiam, R$ 1,6 milhão passaram pela sua conta, ainda conforme a acusação que pesa contra Elzilene.
Por ter movimentado tanto dinheiro, e não ter declarado essa renda à Receita Federal, ela afirmou que responde processo por sonegação de impostos. Elzilene disse ainda que entrou na Alepa em 2002 e trabalhou no setor da folha de pagamento até 2009. Responsável por receber os valores mensais daqueles apontados como "fantasmas", Elzilene disse que, por mês, arrecadava de R$ 30 mil a R$ 40 mil.
“Era muito dinheiro. Mas eu dava tudo para a Mônica”, afirmou. “Os valores a mais, enxertados nos contracheques, eu entregava para a Mônica”, afirmou. Já os outros valores, pagos aos "fantasmas" de Robgol, eram repassados diretamente a esse deputado estadual, acrescentou. Elzilene também disse que, enquanto trabalhou no gabinete de Robgol, o que fez a partir de 2010, seu salário chegava a pouco mais de R$ 4 mil, mas que repassava todo esse dinheiro para o então deputado. "Ele não me dava nada. Só o tíquete-alimentação", afirmou.
Com os enxertos, e já na reta final do esquema fraudulento, é que ela disse que seu vencimento mensal chegou a R$ 25 mil, o maior valor que disse ter recebido por mês. Em outro trecho de seu depoimento, Elzilene afirmou que tinha "medo" de Mônica, que a "humilhava". Mas que continuava fazendo aquele trabalho porque precisava do emprego para se manter. "A Mônica mostrava ter poder. Tudo o que ela queria ela conseguia. Ela era minha chefe imediata", afirmou Elzilene, que ficou cinco dias presa provisoriamente e recolhida no quartel do Corpo de Bombeiros. Ela afirmou ainda que, de tanto levar documentos à instituição bancária, para fazer depósitos e saques, ficou com o apelido de "Maria Envelope".
Advogado de "Robgol", Roberto Lauria disse que Elzilene afirmou que sacava o dinheiro e o entregava nas mãos do "Robgol". "Insiste-se em atribuir ao 'Robgol' algo tido como crime e que é absolutamente usual na Alepa. Há assessores de gabinete que não prestam expediente interno. Nós já provamos à exaustão que todos os deputados praticam isso. Até porque eles podem contratar 41 assessores parlamentares. Nem o espaço (do gabinete) comporta isso (todos esses servidores). Qual é a praxe recorrente: uma pessoa, no gabinete, fica responsável em recolher os salários, deixá-los à disposição no gabinete e cada um, no momento em que passar por lá, pega o seu quinhão. A senhora Elzilene sacava os salários de todos e deixava lá. E, quando cada um ia lá, pegava o seu salário respectivo. Não há nenhuma apropriação indevida por parte do deputado Robson nesse sentido. É usual em todos os gabinetes", afirmou Lauria.
Para o promotor de Justiça Arnaldo Azevedo, o depoimento de Elzilene foi "esclarecedor". "Até agora, nenhum dos réus aqui negou a existência do esquema na folha de pagamento. Todos confirmam a existência. Todos evidentemente atribuem o esquema a Mônica Pinto, o que já era de se esperar. O esquema movimentava várias pessoas e, evidentemente, não poderia ser feito com apenas a participação exclusiva da Mônica. Todos, de alguma forma, contribuíram direta ou indiretamente para a inserção de vantagens e de 'fantasmas' na folha", disse. (Pararijos NEWS)