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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Solos Vermelhos

Hoje duas nações se abraçam e choram os horrores vividos. Esta semana o ocidente foi lavado com sangue inocente, causados por descaso, abandono político e terrorismo, baseado em uma psicopatia sem sentido; usando a religião como desculpa para atrocidades que abalam o coração de todos os povos que anseiam pela paz.
Minas Gerais derrama lágrimas pelas centenas de vitimas que foram soterrados pela lama das represas que foram ao chão. O Brasil acompanha as dores das famílias e das vitimas dessa tragédia que não só abalou a seres humanos, mas também toda uma fauna. Peixes se foram e um rio morreu. Mortes, há mortes por todo lado. Mariana grita por socorro diante da ameaça de outra represa vir a romper.
O vermelho da bandeira de Paris se misturou ao sangue de seus conterrâneos, e turistas, que foram vitimas de mais um ataque terrorista em nome de um Deus que prega o amor ao próximo. As luzes da cidade-luz apagaram-se com os choros e gritos de desesperos de toda uma população.
A terra está vermelha de fogo, lama e sangue. O ar está pesado com a fumaça das explosões que varreram vidas de nosso plano. O chão está pegajoso com o que sobrou de homens, mulheres e crianças, atacadas por metralhadoras ou por um tsunami não esperado, não anunciado.
Enquanto isso, nossos marajoaras são vitimas de um abandono político secular, que vai varrendo da historia sonhos e esperanças. Vivendo, todo dia, sob ameaça de terroristas que nasceram e cresceram nessas terras sagradas, e a desejam somente para nutrir seus anseios individualistas e egoístas.
Tudo que veem acontecendo, ao nosso lado, em nosso território e do outro lado do oceano, não são doenças que precisam ser curadas. Não, não o são. São sintomas. São sinais claros e gritantes que há em nossa sociedade uma doença mais profunda e nociva ao nosso futuro: a desumanização da humanidade.
Enquanto não nos vermos como uma humanidade, única, respeitando às diferenças de nacionalidade, cor, religião, filosofia e ideologia, continuaremos a criar mentes psicopatas dispostas a tudo para ver seu semelhante morrer em nome de um credo debandado para um extremismo fantasioso e cruel.
Enquanto apontarmos os dedos para o outro e acusarmos de estarem do lado errado de um credo, estaremos criando outras gerações machucadas, dispostas a adentrarem em grupos terroristas para, assim, deixarem seu grito de protesto adotando-se o terror.
Precisa-se, sim, cuidar dos sintomas que surgiram em nossa frente, nos dando um cruel choque de realidade. Mas mais necessário do que medicarmo-nos contra o terrorismo e o abandono político, temos que tratar da doença que promove todas as mazelas que assolam a nossa sociedade humana.
Precisa-se, urgente, que resgatemos nosso altruísmo, nosso amor, nossa humanidade, para que possamos, de fato, educar nossas novas gerações a serem criaturas respeitáveis, amáveis, acolhedoras. Precisamos de pessoas que visem um mundo onde se esqueçam que há divisões de credo e raça, queremos uma geração onde somente se vejam como humanos.
Somente assim, não seremos mais vitimas de abandonos políticos e nossos marajoaras poderão, enfim, começar a viver uma vida digna, humana. Assim não mais veremos obras mal feitas, sem fiscalização, destruindo toda uma cidade, acabando com a paz de toda uma nação. Enfim, conseguiremos extinguir essa psicopatia que assola vidas na casa de nossos vizinhos, fantasiada de uma luta por Deus, camuflada de protesto por liberdade.
Hoje choramos por vidas que se foram e que estão indo aos poucos. Neste dia nos angustiamos com a presença de indivíduos dispostos a criar obras colossais sem segurança, em nome de um melhor lucro. Revoltamo-nos com a existência de grupos terroristas que matam e ameaçam, não nos deixando com a paz que tanto sonhamos.
Mas espero que o mal que nos atinge hoje, seja a motivação necessária para que, enfim, nos curemos de todo o mal em que nos afundamos e que abre portas para a existência de seres tão vis.
Com o coração na mão, despeço-me de vocês, queridos leitores, desejando que estas poucas palavras atinjam o seu coração e mente para que reflita e mude de atitude.
Canto do Coruja
Por Renan Medeiros
renanmedeiros_costa@yahoo.com.br