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domingo, 25 de outubro de 2015

Anos 1950 foi marcado por negócios com armas

Anos 1950 foi marcado por negócios com armas (Foto: Celso Rodrigues )
(Foto: Celso Rodrigues )
O artigo publicado em O Globo, no dia 14 de março de 1957 falava exatamente do contrabando de armas. O jornalista José Leal se mostra surpreso com a notícia de que em Belém estavam sendo vendidos revólveres contrabandeados. Na sequência da sua apuração, o repórter teve um encontro com um homem chamado Paulo Freire, no Grande Hotel, que se dizia sobrinho de Victorino Freire e trabalhava como secretário no Banco da Amazônia. Segundo o texto de Leal, Paulo disse que já tinha contrabandeado uísque, mas que agora estava vendendo armas, e mostrou, de acordo com a reportagem do Globo, “um lindo revólver calibre 32, oxidado, cabo de nogueira”.
Espantado, Leal indagou a Paulo onde e como havia adquirido tal arma. “Um amigo meu acaba de regressar dos Estados Unidos e trouxe uma partida de cem”, confidenciou o secretário do banco ao jornalista, que imediatamente se mostrou interessado, dizendo a Paulo que tinha uns amigos no Rio de Janeiro que lhe haviam pedido para comprar uns revólveres.
O CONTRABANDISTA
Paulo disse que falaria com seu amigo e tentaria articular um encontro entre eles. O tal amigo contrabandista de armas era Rômulo Maiorana - o pai - e o encontro entre ele e o repórter carioca de fato aconteceu e foi relatado pelo jornalista, com detalhes (leia no box abaixo).
Na conversa, Maiorana disse que era colunista social do matutino O Liberal e admitiu que tinha, sim, trazido armas dos Estados Unidos, para vender em Belém. Era o início de um negócio clandestino e criminoso, mas que rendeu muito dinheiro a Rômulo Maiorana. E foi esse mesmo dinheiro que lhe deu condições de se tornar dono de uma grande rede de lojas e de comprar, em 1966, o jornal O Liberal. Dez anos depois - e cada vez mais rico e poderoso -, ele inaugurou a TV Liberal, montada em apenas 8 meses, para se tornar afiliada da Rede Globo no Pará. Até conseguir toda a sua fortuna, no entanto, Rômulo Maiorana foi responsável por operações de contrabando cinematográficas, dignas de filmes de Hollywood.
Operações de contrabando a la Hollywood
Nas reportagens publicadas pelo Globo, o contrabando articulado pelo grupo de Rômulo Maiorana era contado em detalhes, como se fosse um filme de ação. Segundo o texto, as armas chegavam em aviões vindos do exterior, que pousavam no aeroporto de Belém. Quando chegavam no final da pista, onde deveriam fazer a curva e retornar para o desembarque dos passageiros, as aeronaves abriam as portas de carga e um comissário de bordo empurrava, para fora do avião, as caixas com os produtos contrabandeados. Tanto os pilotos quanto os comissários também estavam envolvidos no crime e eram muito bem pagos pela ajuda. No fim da pista, com a iluminação precária da época e as turbinas do avião ainda ligadas, ninguém via nem ouvia nada do que acontecia fora da aeronave. Em seu texto, o jornalista de O Globo explica a última etapa da operação criminosa: “Dentro do mato estão escondidos os homens encarregados de transportar os volumes para um jipe, que some na estrada que vai para a cidade”.
O repórter carioca prossegue: “Desse modo, ficam os leitores sabendo que, em Belém, até o colunista social é contrabandista”. Foi essa a lamentável imagem que o Brasil teve do povo paraense, graças às contravenções do empresário Rômulo Maiorana.
A notícia de O Globo, um dos maiores jornais do País e que integra as Organizações Globo, cuja programação é transmitida no Pará pela TV Liberal, de propriedade da família Maiorana, mostra de que forma começaram os negócios do clã Maiorana e de como o patriarca da família ganhava a vida e fez fortuna na década de 1950. De dia, era um reles colunista de jornal. À noite, percorria os ambientes mais sofisticados da cidade, oferecendo armamento contrabandeado. Com os lucros da contravenção ficou rico e, mais tarde, com a ajuda de pessoas influentes, compraria o jornal O Liberal e a TV Liberal. E atualmente, mais de 50 anos depois, seu filho, Rômulo Maiorana Jr., mostra que o contrabando está no DNA da família.
(Diário do Pará/Pararijos NEWS)