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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Alta do dólar afeta bolso do paraense


O dólar comercial abriu o mercado em alta e fechou a cotação de ontem a R$ 4,10, após uma semana marcada por instabilidade e pela intensa atuação do Banco Central, para conter novas subidas da moeda norte-americana.
Além de impactar diretamente no valor das ações do mercado de valores, o dólar afeta em linha reta os preços em geral, de produtos importados ou não, dos alimentos da cesta básica ao setor de higiene. É o que alerta o presidente da Associação Paraense de Supermercados (Aspas), José Oliveira. “O preço do frango, resfriado e o congelado, subiu 20 % de uma hora para outra. Conversei com um fornecedor e ele atribuiu o aumento à elevação no preço do milho, da ração e até da energia. Ontem mesmo, (no domingo), abri o jornal e soube que pode haver mais um aumento de energia, está complicado’’, disse o titular da Aspas.
Oliveira observa que a disparada do dólar causa um choque nos preços em geral, não apenas em viagens ou produtos com itens importados. ‘’A alta do dólar influência nos valores dentro do Brasil’’, frisou o empresário. Sobre a queda nas vendas neste segundo semestre, ele avalia uma baixa similiar a do que ocorreu no ano passado, com redução de 10% no volume de saída de mercadorias. No entanto, destaca, este ano o cenário econômico é mais grave, porque há a crescente inflação.
“Nós estamos diminuindo custos ao máximo. Para se ter uma ideia, até o ano passado, o gasto com energia representava 1% do faturamento total dos supermercados. Agora, esse custo já está na casa de 2% ou mais’’, salientou Oliveira. Ele pondera que o setor tem feito um esforço para não repassar o aumento de gastos aos valores de produtos, contudo, diz que é uma situação cada vez mais difícil. “Está ficando incontrolável. O problema não é tanto financeiro, mas de moral, o governo está sem credibilidade’’, destacou o representante do setor de supermercados no Pará, que chegou a citar recente demissões de trabalhadores no segmento.
Sobre os produtos que devem apresentar alta nos próximos dias, estão na lista o pão, que depende de trigo, matéria-prima importada; óleo de cozinha; além de itens importados. “Não tenho uma previsão, não. Mas, dentro do que está se apresentando, é possível sim que haja aumento nos preços. Nós, dos supermercados, temos enfrentado queda nas vendas e aumento nos custos.  O setor não repassa aumento por repassar, não, ao contrário, temos segurado, mas o problema está ficando insuportável’’, concluiu José Oliveira.
DISPARADA
O dólar encerrou a segunda-feira vendido a R$ 4,1095, em alta de 3,37%, depois de duas quedas diárias seguidas, na maior alta desde 21 de setembro de 2011 (+3,75%). Já a Bovespa encerrou em queda pelo 7º dia, no menor nível em mais de 6 anos. O principal indicador da bolsa recuou 1,95%, aos 43.887 pontos.
O dólar ampliou o avanço na reta final do pregão após o diretor-geral da Fitch para o Brasil, Rafael Guedes, repetir que a perspectiva negativa atribuída à nota de crédito do país significa que a agência vê chance de mais de 50% de rebaixar o país nos próximos 12 a 18 meses, desta a Reuters.
No entanto, Guedes também sinalizou que a agência não deve retirar do Brasil o selo de bom pagador quando tomar sua decisão sobre a nota ao afirmar que, “historicamente”, a Fitch não corta rating em dois degraus, o que seria necessário para retirar o grau de investimento. Atualmente, o Brasil está com a nota BBB na escala da agência. (Pararijos NEWS)