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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Com Helder, o Pará volta a ocupar Ministério

Com Helder, o Pará volta a ocupar Ministério (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)
O Pará volta a marcar presença no corpo ministerial da República do Brasil depois de vinte anos. Nesta quinta-feira, em Brasília, Helder Barbalho, atual presidente em exercício do PMDB no Estado, assume o Ministério da Pesca e Aquicultura, em solenidade a ser realizada no Palácio do Planalto e na qual a presidente Dilma Rousseff dará posse aos novos ministros que vão compor sua equipe para o segundo mandato. A transmissão do cargo ocorrerá na sexta-feira, às 11 horas, no auditório do MPA.
Em passado recente – mas nem tanto –, o último nome a representar o Pará no primeiro escalão do governo federal foi Fernando Coutinho Jorge, que, a convite do então presidente Itamar Franco, dirigiu o Ministério do Meio Ambiente de 1992 a 1994. Antes dele, representaram o Pará no Ministério o professor Nelson Ribeiro, o senador Jader Barbalho e o ex-senador Jarbas Passarinho.
A indicação de Helder Barbalho para o Ministério, anunciada há uma semana pela presidente Dilma Rousseff, foi recebida com entusiasmo pelo setor empresarial do Pará, que vê no novo ministro os atributos necessários para dar o impulso de que o setor está necessitando – e não somente no Pará ou na Amazônia, mas em todo o Brasil. Manifestações de confiança e de apoio ao novo ministro já foram tornadas públicas pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Carlos Fernandes Xavier, e pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Pesca do Pará e Amapá, Armando Burle.
Para o diretor do Sinpesca, Ivanildo Pontes, que por vários anos presidiu o sindicato, Helder Barbalho poderá dar uma guinada histórica no setor da pesca no Brasil. E o ponto de partida para isso, na sua opinião, passa por dois pré-requisitos básicos e interdependentes. Um, o fomento à pesquisa para geração de conhecimento científico aplicado à pesca, área à qual o Brasil tem dado historicamente pouquíssima ou nenhuma atenção.
Outra condição necessária, segundo Ivanildo Pontes, é o incentivo à aquicultura para a criação de peixes em cativeiro, atividade que, em sua avaliação, representa o futuro da pesca no mundo. Além da diminuição dos estoques naturais pelo esforço da pesca extrativa, contribui muito para fortalecer essa tendência, segundo Ivanildo Pontes, a crescente repulsa que se observa em escala planetária à pesca de arrasto, que emprega técnicas consideradas agressivas e predatórias.
O diretor do Sinpesca observou que, por sua extensão territorial, pelo colossal volume de águas interiores de que dispõe – além de uma linha litorânea extensa –, e pela diversidade de ambientes propícios à atividade, o Pará tem um potencial formidável para a aquicultura. Apesar disso, conforme frisou, essa atividade é ainda muito incipiente em virtude da falta de apoio governamental.
Para Ivanildo Pontes, o governo poderia atuar simultaneamente em dois sentidos. Um, passando a investir mais efetivamente em pesquisa, evitando, por exemplo, o que acontece hoje – em que o único navio de pesquisa disponível no litoral norte do Brasil, o “Almirante Paulo Moreira”, está há anos abandonado e em processo avançado de sucateamento em área localizada por trás da Ceasa.
Um segundo passo vital, no seu entender, seria a criação de políticas de incentivo à instalação de fábricas de rações para peixes no Pará, talvez com apoio financeiro da Sudam, bem como a renovação e adequação da frota pesqueira em operação no litoral norte. Os velhos barcos hoje utilizados sobretudo na captura do camarão, segundo ele, foram projetados com porões relativamente pequenos e espaços mais amplos para o acondicionamento de combustível. Esse arranjo equivocado de engenharia tem como resultado a perda de fauna acompanhante, o que significa consideráveis prejuízos comerciais e danos desnecessários à vida marinha.
(Diário do Pará)