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domingo, 9 de novembro de 2014

Moradores do Guamá vivem rotina de medo

Um dos bairros mais populosos de Belém está em silêncio. Desde a última terça-feira, quando o cabo da Polícia Militar Antônio Marcos da Silva Figueiredo, 43, foi morto a tiros, os moradores do bairro do Guamá estão receosos com a situação de terror que se instalou no local. A resposta à morte do PM foi a sequência de dez mortes em seis bairros diferentes, entre eles o Guamá.
Os cadeados nos portões das escolas estaduais do bairro, em horário de aula, demonstravam que a rotina daqueles estudantes foi modificada. Duas escolas na rua Liberato de Castro estavam de portas fechadas,- a Escola Frei Daniel e a Celina Anglada-, e somente funcionários foram vistos nelas para explicar que “as aulas tinham sido suspensas pela Seduc”.
Pela fresta do portão da Escola Alexandre Zacharias de Assumpção, o porteiro, que não quis se identificar, explicou os motivos dos cadeados nos portões. “As mães dos alunos ficaram com medo dos boatos que se espalharam na internet e vieram buscar os filhos na escola, ainda na quarta-feira e na quinta, a direção da escola ligou para a Seduc para que as aulas fossem suspensas formalmente”, informou.
Do outro lado da rua Liberato de Castro, apenas uma escola do município, a Padre Leão, ainda tentava voltar à sua rotina natural, sem sucesso. Uma menina, de 13 anos, que estuda nessa escola disse que na própria casa as pessoas passaram a ficar mais tempo em casa, por conta do medo de sair. “A partir do meio-dia, todo mundo já está em casa. De noite, ninguém fica mais na rua”, disse.
Na Escola Barão de Igarapé Mirim, mesmo sem aulas, jovens que não pertencem ao quadro de estudantes da escola brincavam na quadra de esportes. O porteiro, que não quis se identificar, afirmou que as aulas foram suspensas por determinação da Seduc, pela morte do PM e pelas provas do Enem. “Essa escola será preparada para o Enem”, informou.
Moradores do Guamá dizem que no bairro impera a lei do silêncio. “Se em tempos normais, a gente não fala nada com medo de depois o que foi dito se tornar contra nós, imagina depois de uma chacina dessas. Andamos de cabeça baixa”, disse um morador que preferiu o anonimato. O DIÁRIO contactou com a Polícia Militar e a Seduc, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
(Pararijos NEWS, com informações de Diário do Pará)