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domingo, 23 de novembro de 2014

Macaé sagrou-se campeão da Série C porque soube controlar os nervos e não se abalar com o peso da Fiel

Nas duas partidas que decidiram a Série C, o que se viu foram dois times quase idênticos em seus pontos fortes e fracos. Em um quesito, porém, o Macaé-RJ sempre foi superior: a tranquilidade.
Somente quando o lateral esquerdo Diego fez o terceiro gol do 3 a 3 de ontem é que o time fluminense ficou com uma vantagem considerável sobre o Paysandu. Quando fez 1 a 0 no Moacyrzão, no jogo de ida, o Leão teve pouco tempo de vantagem. Ontem, enquanto o Papão era pura transpiração e esteve em quatro momentos com a taça nas mãos, o Macaé parecia em nada se abalar e continuava jogando com serenidade.
Antes do jogo, o técnico Josué Teixeira “cantou a pedra” quando perguntado sobre a preparação de seu time para aguentar a pressão da torcida paraense: “Que pressão?”. O que parecia empáfia, na verdade mostrava a confiança que ele tinha em seus comandados.
A tranquilidade foi colocada à prova já no Hino Nacional, quando a Fiel cantou quase uníssona, abafando o sistema de som do Mangueirão e proporcionando um belo espetáculo. Nem quando Zé Antônio abriu o placar, aos 16 do primeiro tempo, cabeceando um cruzamento de Aírton, os bicolores visitantes se abalaram.
Continuaram com o toque de bola e o ritmo do “devagar e sempre”. Mesmo ainda sem maior volume de jogo, o Macaé empatou aos 43, quando o atacante João Carlos escorou de cabeça uma cobrança de escanteio.
Na saída para o intervalo, o zagueiro Fernando Lombardi parecia antever o que viria a acontecer. “É final e não podemos dar espaço, rifar a bola e deixar de tocar. Temos que jogar”, disse.
Mesmo fazendo dois gols, o Paysandu continuou jogando dessa forma, ao passo que o Macaé tocava a bola. O Papão deu um sinal de que controlaria o jogo logo aos seis minutos, quando Ruan tabelou com Bruno Veiga e mandou um chute rasteiro cruzado de fora da área, no canto do goleiro rival, desempatando o duelo.
Mas o time visitante respondeu sete minutos depois, mais uma vez com João Paulo, que escorou um cruzamento vindo da direita.
Na base do abafa, o Paysandu voltou a encher a Fiel de esperança aos 22. Pikachu acreditou em uma jogada que parecia perdida, roubou do zagueiro Felipe Machado e cruzou rasteiro para o Rômulo, de letra, fazer um golaço.
Mal deu tempo da torcida soltar o grito de campeão e o Macaé voltou a empatar, aos 30. Diego, um dos melhores nos dois jogos, tabelou com João Carlos e chutou entre as pernas de Paulo Rafael. A partir daí, o time fluminense tocou a bola e paraense correu desordenadamente. Fim de jogo: título nacional para o Macaé.
No lado bicolor, lamentos, apesar do apoio da Fiel no estádio
O apito final do jogo deu sequência as lamentações dos bicolores. Embora o Paysandu, de fato, tenha conquistado o que interessava, que foi o retorno à Segunda Divisão, a perda do título da Série C foi uma ducha de água fria. Ao menos pelas reações dos jogadores, apesar dos aplaudos da torcida, que gritou: “time de guerreiros”.
“Estou triste, assim como todo o grupo está. Ganhar o primeiro título como profissional, com esse estádio lotado, seria um sonho”, lembrou Ruan, de apenas 21 anos, que fez o segundo gol do Papão na partida, depois de um chute certeiro, de fora da área.
“Sou um jogador, senti o baque”, continuou, para logo falar diretamente com a torcida bicolor: “Peço desculpas a essa torcida maravilhosa. Mesmo não conseguindo esse título, eles (torcedores) gritaram o nosso nome o tempo inteiro e depois do apito final”.
O mesmo tom marcou a declaração do volante Ricardo Capanema, que atuou improvisado como zagueiro. “A gente fica triste, mas tem que passar, porque conquistamos a vaga na Série B. Nós do Paysandu atuamos com garra. Mas, do outro lado, também teve uma equipe aguerrida. E tem os méritos deles. Infelizmente, não conseguimos o título, mas vamos pensar para frente”, declarou, ainda no gramado do Mangueirão, quando também teve o seu gritado. “Quero agradecer a torcida, aos familiares e aos amigos”, acrescentou.
O atacante Rômulo, que acrescentou qualidade ao setor ofensivo do Paysandu, também lamentou o fato de não ter obtido o que seria o seu primeiro título como jogador profissional. Acerca do gol de letra que colocou o Paysandu à frente do marcador, comentou: “Fico feliz pelo gol, mas ao mesmo tempo triste, porque a equipe não alcançou o seu objetivo. Mas devemos pensar para a frente.
Amazônia Jornal