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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Confirmados 10 casos de Doença de Chagas em Belém

O Instituto Evandro Chagas (IEC) informou ontem ter diagnosticado dez casos de Doença de Chagas Aguda (DCA) em Belém, mais precisamente, no bairro do Tenoné. Os pacientes estão sob acompanhamento dos técnicos do órgão de pesquisa da doença. De acordo com nota divulgada ontem pelo Instituto, diretamente ligado à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, há possibilidade de serem diagnosticados novos casos associados ao surto no Laboratório de Doença de Chagas (Lab-Chagas) ou em outros laboratórios da rede pública de saúde.
 Moradores do Tenoné relatam que podem ter sido contaminados pelo consumo de açaí comprado em pontos de venda da área. Na casa do supervisor de loja André Durães, três pessoas estão doentes. No começo, ele pensou que fosse dengue, porém um exame descartou a suspeita. “Eu fui ao Evandro Chagas, fiz uma consulta e os exames, e o médico disse que a probabilidade era bem grande de ser doença de Chagas”, disse.
Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação
Na família Carvalho, os sintomas apareceram em outubro e a doença de Chagas atingiu outras cinco pessoas. A autônoma Élida Carvalho disse que os dois sogros, o marido e dois filhos dele estão com a doença.
Em nota, o IEC explica que, levando em consideração a “natureza acidental, esta forma de contaminação é perfeitamente possível de se evitar. A Sespa, Sesma, IEC, Sebrae, Ministério Público, além de outras instituições, têm incentivado a prática de medidas de higiene mediante o protocolo do branqueamento que tem mostrado boa eficiência na eliminação do T. cruzi, agente causador da doença de Chagas. Contudo, nem todos os batedores de açaí, principalmente nos bairros da periferia de Belém, têm adotado estas boas práticas de higiene, daí a ocorrência destes casos”.
Até o inicio do mês de novembro, o Lab-Chagas havia confirmado o diagnóstico de 64 casos de DCA nas cidades de Abaetetuba, Acará, Barcarena, Belém, Capanema, Curralinho, Limoeiro do Ajuru, Moju, Muaná, Ponta de Pedras, São Domingos do Capim, São Sebastião da Boa Vista e Tomé Açu.
BARBEIRO
Segundo o Instituro Evandro Chagas, a  Doença de Chagas Aguda (DCA) é doença de caráter benigno, mas, identificada e tratada urgentemente, tem amplas chances de cura e controle. É transmitida por insetos conhecidos como “barbeiros” que, no intestino, abrigam um protozoário denominado Trypanosoma cruzi. Este, quando eliminado junto com as fezes dos insetos, em contato com a pele humana, pode contaminar.
Outras formas de transmissão seriam a transfusão de sangue e transplantes de órgãos contaminados, pela via congênita e acidentes em laboratórios. IEC, Sespa e SV-Episus realizaram estudos que comprovaram a viabilidade da transmissão oral envolvendo alimentos, sobretudo o açaí. As alternativas de contaminação seriam as seguintes: “Barbeiros” infectados podem voar de matas vizinhas para os pontos de processamento de açaí atraídos pela luz e caindo na máquina, onde são triturados com os frutos, contaminando o açaí. Outra alternativa de ocorrência de contaminação é no transporte do açaí durante a noite. As canoas atracam em ilhas, à espera da melhor hora da maré. Os “barbeiros” voavam, atraídos pela luz das embarcações, e caem nos paneiros, misturando-se aos frutos e indo parar nas máquinas de beneficiamento do produto final.

ORM News