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domingo, 16 de novembro de 2014

Combate ao AVC


De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Acidente Vascular Cerebral (AVC) mata e incapacita 5 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, a doença chega inclusive a superar os índices de infarto: são mais de 100 mil casos por ano, segundo dados do Ministério da Saúde. O assunto gera diversas dúvidas entre a população, que muitas vezes não sabem a diferença entre AVC, aneurisma, derrames, isquemias, entre outros. Com base no Dia Mundial de Combate ao AVC, que aconteceu no último dia 29.10, conversamos com um especialista no assunto que esclareceu as principais dúvidas sobre a doença.
De acordo com o neurocirurgião Dr. Carlos Lobão, o AVC significa Acidente Vascular Cerebral e, como o nome diz, é uma desordem de causa vascular que atinge o cérebro. O acidente pode ser isquêmico, mais frequente, ou hemorrágico, menos frequente e igualmente preocupante. Ele esclarece que a isquemia cerebral ocorre quando há diminuição ou parada do fluxo de sangue em determinada região do cérebro. “As causas mais comuns da isquemia cerebral são as embolias, quando um êmbolo de gordura, geralmente descolado de uma placa de gordura da parede de um vaso (ateroma), se descola e percorre a circulação sanguínea até se impactar em um vaso cerebral fazendo com que esta região do cérebro deixe de receber o aporte necessário de sangue; e as tromboses, que ocorrem quando um trombo se forma na parede de um vaso no cérebro levando a diminuição de fluxo de sangue naquela região”, explica o médico.
Já o AVC hemorrágico ocorre quando há a ruptura de um vaso sanguíneo cerebral com vazamento de sangue de dentro do vaso para uma determinada região do cérebro. Dependendo da localização onde houve esse sangramento ocorre um tipo de AVC hemorrágico com características e sintomas próprios. Os AVCs hemorrágicos mais frequentes são os intra-parenquimatosos, que ocorrem no interior do tecido cerebral, normalmente devido a um pico hipertensivo, por exemplo. Os aneurismas cerebrais são malformações vasculares na parede dos vasos do cérebro que fazem com que esses vasos doentes se dilatem e sejam mais propensos a romperem gerando um AVC. “Quando um aneurisma cerebral rompe ele tipicamente gera uma hemorragia meníngea com a clássica dor de cabeça na nuca, rigidez da nuca, podendo haver vômitos e perda da consciência, dependendo da extensão deste sangramento”, destaca Carlos Lobão. 

Sintomas

Entre os principais sinais de alerta da doença estão diminuição de força de um lado do corpo, alterações da sensibilidade também somente de um lado, dificuldade para falar, para entender e executar comandos, alterações visuais, perda súbita da coordenação motora e a vertigem súbita e persistente. Também podem haver sintomas mais generalizados como: dor de cabeça, vômitos, desmaios, crises convulsivas e até paradas cárdio-respiratórias em casos de maior gravidade.
O neurocirurgião alerta ainda que como o cérebro é responsável por inúmeras funções do organismo, os sintomas vão depender da região em que ocorre o AVC. “No caso da diminuição de forças e alterações de sensibilidade de um lado do corpo, na maioria das vezes, o acidente ocorreu do lado contrário. Por ser uma doença de causa vascular, uma das características principais dos sintomas de um AVC é que eles ocorrem de forma aguda e súbita. É muito importante que se identifique os sintomas de um AVC da forma mais rápida possível para que o diagnóstico seja feito logo”, explica o especialista. 

Tratamentos

Ao se deparar com um paciente com os sintomas de um possível AVC, é necessário que se faça o exame de imagem do cérebro, que pode ser uma tomografia computadorizada ou uma ressonância nuclear magnética. Os exames são fundamentais para se saber o tipo e a localização do acidente. 
Carlos Lobão afirma que os tratamentos instituídos vão depender do tipo de AVC, e podem variar desde tratamentos com medicamentos até cirurgias. “É importante garantir que o sangue esteja chegando de forma adequada ao cérebro e com os nutrientes e oxigenação adequados. Por isso, de forma imediata no tratamento dos AVCs é de suma importância o controle da pressão arterial, da taxa de açúcar no sangue e que se garanta uma adequada oxigenação do paciente. Feito o diagnóstico do tipo e localização do AVC, demais medicações poderão ser prescritas, bem como exames mais específicos e possíveis cirurgias abertas ou endovasculares (cirurgias feitas por dentro dos vasos que chegam ao cérebro) poderão ser propostas”, afirma o neurocirurgião.
Quanto antes se diagnosticar e tratar o AVC maior é a chance de cura e menor o risco de sequelas causadas por ele. Outra situação que deve ser levada em consideração é que um paciente que já teve o primeiro AVC tem uma chance maior de ter outros AVCs subsequentes em relação ao restante da população geral. Por esta razão, o tratamento adequado do AVC e das outras condições que se relacionam com ele, como a hipertensão arterial, a diabetes, a hipercolesterolemia, doenças do coração, o tabagismo, a obesidade, o sedentarismo, entre outras, devem ser seguidos a risca. “Devemos saber que o AVC é uma doença grave e que seus sintomas devem ser reconhecidos o quanto antes para que as medidas cabíveis possam ser tomadas pela equipe médica. O AVC pode ser de vários tipos, ter causas diversas e se apresentar de inúmeras formas. Por isso, caso se identifique uma pessoa com suspeita de AVC, é necessário que ela seja levada de forma urgente para atendimento médico, pois existem maneiras eficazes e seguras para ela ser tratada, desde que este tratamento seja instituído em tempo hábil”, adverte Carlos.

Hereditária

  •  De acordo com Carlos Lobão, existem muitas causas de AVC e várias delas são hereditárias. Por exemplo, a hipertensão arterial, as doenças do coração, alguns tipos de hipercolesterolemia, doenças dos vasos sanguíneos, entre outros. Por esta razão, é muito importante que pessoas que tenham casos como estes na família procurem assistência médica com um especialista para realizar a prevenção o quanto antes. Parentes em primeiro grau de pessoas com aneurismas cerebrais têm maior chance de desenvolver essa doença e devem fazer exames que possam detectá-lo antes que ele possa romper e causar suas consequências devastadoras.

Prevenção

  •  O controle dos fatores de risco que levam ao AVC é a principal forma de preveni-lo. Desta forma, o controle da pressão arterial, a realização de atividades físicas de forma contínua, uma alimentação adequada, o tratamento de doenças como a diabetes e as doenças do coração, o controle do colesterol, triglicerídeos e ácido úrico são medidas de prevenção eficazes e que devem ser seguidas por todos. 
  •  Segundo o especialista, também é importante se evitar o tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas em excesso e o uso de drogas ilícitas (uma importante causa de AVCs em pacientes jovens). Pessoas com doenças específicas como doenças do colágeno, HIV, câncer, doenças que afetam a coagulação sanguínea, cardiopatas, pacientes com câncer, pacientes com anemia falciforme, e pessoas portadoras de vasculites devem ter suas doenças adequadamente tratadas e devem ser monitoradas de perto, pelo risco aumentado de apresentarem um AVC.